Pelo menos 14 autocarros partiram ontem do Terminal Rodoviário de Transportes Interprovincial e Internacional da Junta, na cidade de Maputo, com centenas de cidadãos malawianos, que abandonam a África do Sul devido a ataques xenófobos.
No local é visível o intenso movimento de viajantes. Alguns ocupam autocarros estacionados, enquanto outros aguardam sentados no chão, junto às suas trouxas e bagagens, por transporte com destino às províncias de Tete e Manica, de onde seguirão para o Malawi.
Até ao meio-dia de ontem pelo menos 10 autocarros com capacidade para cerca de 60 passageiros cada haviam partido rumo ao Centro do país, transportando 600 cidadãos estrangeiros. Outros quatro veículos também se preparavam para seguir ao mesmo destino.
Perante o aumento da procura, operadores de outras rotas redireccionaram temporariamente os serviços para responder ao fluxo de passageiros. Outros permaneciam no terminal à espera de viajantes provenientes da África do Sul.
Marcos Chirindza, transportador da rota Chimoio/Maputo, contou que parte dos lugares da viatura já se encontrava preenchida, mas decidiu adiar a partida após ser contactado por potenciais passageiros que se encontravam nas proximidades.
“Desde a semana passada registamos uma procura crescente de transporte por parte de malawianos que pretendem chegar a Tete, onde se localiza a fronteira com o seu país. A cada dia que passa o movimento aumenta”, afirmou.
Entre os que aguardavam transporte estava Obama Takie, comerciante, que relatou ter sido forçado a abandonar o estabelecimento comercial apesar de possuir documentação. Sem alternativas, disse estar preparado para regressar ao país de origem. O Serviço Nacional de Migração (SENAMI) preferiu não se pronunciar sobre o trânsito de cidadãos malawianos vítimas da xenofobia.